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TikTok e Reels: o que a geração Z espera de marcas em 2026

Marcas e geração Z nas redes sociais

«Se parece comercial de TV, eu passo em três segundos.» A frase é de Letícia, 19, de São Paulo, e resume o que a Jovira ouviu de 31 jovens entre 16 e 24 anos em quatro capitais sobre a presença de marcas no TikTok e no Instagram Reels. Não é hostilidade ao consumo — é filtro estético e ético afiado por anos de feed.

Em 2026, marcas que insistem em tom corporativo, música genérica de banco de imagens e call-to-action gritado perdem espaço para conteúdo que parece feito por gente real — mesmo quando é patrocinado. A diferença está na honestidade e no contexto.

O que funciona

Entrevistados citaram três elementos positivos com frequência similar. Primeiro, humor que não humilha ninguém — piada interna, timing curto, autodepreciação leve. Segundo, transparência sobre patrocínio: «#publi» visível, produto mostrado com limite, sem fingir que é review espontâneo. Terceiro, participação: marcas que respondem comentário, repostam criação de usuário ou entram em trend sem deturpar completamente o formato.

Conteúdo jovem em redes sociais

Em Belo Horizonte, uma marca de bebida regional viralizou ao deixar estagiários gravarem «um dia na fábrica» com celular, sem roteiro polido. O vídeo tinha ruído, gente rindo fora de quadro e explicação honesta do processo. «Parecia gente, não departamento de marketing», disse um entrevistado de 22 anos.

O que irrita

Lista recorrente de rejeição: usar linguagem forçada de meme («sem condições, miga» vindo de conta azul corporativa); apropriar protesto ou pauta social sem ação concreta; apagar comentário crítico; vídeo vertical com legenda minúscula e áudio de narração robótica. Vários mencionaram «funk de fundo sem licença» como sinal de desleixo.

A geração Z não quer marca perfeita. Quer marca que não finja ser amiga e depois venda mentira.

Região importa

Em Recife e Salvador, entrevistados valorizaram marcas que incluem sotaque, referência local e criadores da região — não só influenciador de São Paulo dublando o mesmo roteiro. Em Curitiba, houve mais menção a sustentabilidade e rastreio de origem de produto. Não há fórmula única, mas há rejeição unânime ao copy-paste nacional sem adaptação.

Para quem observa tendências

O TikTok e os Reels continuam sendo campo de experimentação — mas o público jovem brasileiro amadureceu o olhar. Engajamento de vanity metric perde para confiança de longo prazo. Marcas que entendem isso tratam rede como conversa; as que não entendem continuam queimando verba em vídeo que ninguém termina de ver.

Pesquisa informal feita pela Jovira com criadores de conteúdo de 18 a 25 anos mostra outra frente: cansaço de produzir para algoritmo. Vários relatam que vídeo espontâneo, gravado sem roteiro de 12 cenas, performa melhor que peça planejada em agência. «Parece que a rede voltou a premiar imperfeição honesta», disse criadora de João Pessoa com 80 mil seguidores.

Marcas que colaboram de verdade — emprestando espaço, citando criador local, mantendo campanha após o hype — ganham lembrança. As que somem após usar trend viram caso de estudo de «marca oportunista» em servidores de marketing jovem, onde print de campanha ruim circula como piada por meses.

Em 2026, a pergunta não é «estamos no TikTok?», mas «temos algo a dizer que não seja só vender?». Jovens brasileiros respondem com o dedo no passar — rápido, sem piedade e com memória longa.

Criadores independentes que colaboram com marcas transparentes relatam menos unfollow do que os que aceitam publi genérica. A audiência perdoa venda quando reconhece honestidade; não perdoa fingimento de espontaneidade.

O recado para quem produz conteúdo em nome de marca é simples: menos roteiro de agência, mais conversa real. Jovens detectam inautenticidade em segundos — e o algoritmo, cada vez mais, parece concordar com eles.

Quem acerta o tom em 2026 não compra atenção — conquista permissão para aparecer de novo na timeline.

Atualizado em Jun 5, 2026 às 11h45 (horário de Brasília).

Retrato de Bruno Mendes

Autor

Bruno Mendes

Repórter · Apps e tecnologia

Comunicólogo pela UFRJ. Especialista em comportamento de plataformas e adoção de apps entre jovens no Sudeste e Nordeste.